Portugal A Vista – S06E25 – Castelo de Leiria
Castelo de Leiria: Um Símbolo da Reconquista | Portugal á Vista S06E25
Explore a história épica, as lendas e a resiliência do Castelo de Leiria neste episódio especial de Portugal á Vista. Uma viagem inesquecível pelo coração de Portugal!
No mais recente episódio de Portugal á Vista, embarcamos numa fascinante expedição ao **Castelo de Leiria**, um monumento que se ergue imponente sobre a cidade, testemunhando séculos de história e resiliência. Este castelo não é apenas um conjunto de pedras antigas; é um **símbolo monumental da história da cidade** e um guardião da memória coletiva de Portugal.
A sua importância estratégica remonta à sua fundação em 1135 por Dom Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal. Numa época de intensa Reconquista, o jovem Infante, sediado em Coimbra, necessitava de defender a sua posição e expandir os seus domínios para sul. O **Castelo de Leiria** foi erguido como uma linha avançada crucial, não só para proteger Coimbra, mas também como ponto de partida para a conquista de Santarém, Lisboa e Sintra.
Esta fortaleza, pela sua posição privilegiada num morro que se destaca na paisagem leiriense, já era um local de ocupação desde tempos pré-históricos. O **Castelo de Leiria** tornou-se assim um fulcro de defesa e ataque, um palco de confrontos incessantes entre cristãos e muçulmanos.
As lutas para assegurar esta posição estratégica foram duras e contínuas. O castelo foi assaltado e retomado diversas vezes, uma realidade que moldou a sua identidade e a bravura dos seus defensores. O comando da guarnição militar foi entregue a Dom Paio Guterres, o primeiro alcaide-mor, um dos valorosos cavaleiros de Dom Afonso Henriques.
Ele defendeu não só o **Castelo de Leiria** e a população local, mas também a posição vital de Coimbra. Apesar das dificuldades e do esvaziamento do território devido às constantes batalhas, a sua resistência foi lendária, mesmo que o castelo tenha caído nas mãos dos mouros em algumas ocasiões.
A Arquitetura Defensiva do Castelo de Leiria
A Albacara: Refúgio em Tempos de Guerra
Um dos elementos mais curiosos do **Castelo de Leiria** é o seu anexo, a **Albacara**. Curiosamente, este é um termo de origem árabe que significa “recinto de gado bovino”. Em caso de ataque, a população que vivia nas proximidades do castelo refugiava-se dentro do recinto amuralhado, trazendo consigo o seu bem mais precioso: o gado. Esta prática era vital para a sobrevivência em cercos que podiam ser longos e desgastantes.
A Albacara não era apenas um abrigo para o gado; era um espaço onde a população podia encontrar segurança, e provavelmente, também cultivar pequenas hortas para complementar os víveres. Era uma solução engenhosa para garantir a subsistência durante os períodos mais difíceis da guerra.
As Cisternas Medievais: O Armazenamento da Água
Outro elemento de defesa crucial, e o nosso primeiro ponto de visita neste episódio, são as **cisternas do castelo**. A água, um recurso vital em tempos de guerra, era cuidadosamente armazenada. No interior do recinto do **Castelo de Leiria**, existem cinco cisternas, sendo a que visitamos o complexo de maiores dimensões.
Este arqueossítio, constituído por três compartimentos de grande capacidade, recolhia sobretudo água pluvial. É fascinante observar o interior destas estruturas, hoje acessíveis aos visitantes, que permitem uma compreensão da engenharia medieval. As paredes das cisternas eram revestidas com almagre, uma argamassa avermelhada à base de óxido de ferro, que conferia impermeabilidade – essencial para a retenção da água.
As obras de reabilitação do **Castelo de Leiria**, entre junho de 2019 e maio de 2021, permitiram a intervenção neste complexo das cisternas, tornando-o visitável e um espaço de reflexão. Atualmente, estas cisternas não são apenas um vestígio histórico; são também um local para iniciativas culturais, como exposições temporárias de escultura, fotografia, desenho e, em particular, media arte.
O espaço promove um diálogo importante sobre a gestão sustentável da água potável, um recurso não ilimitado, sublinhando as lições que podemos aprender com os nossos antepassados medievais, que enfrentaram anos de seca extrema e desenvolveram a engenhosidade para gerir este recurso fundamental para a vida humana e no planeta.
Lendas e Segredos do Castelo de Leiria
A Porta da Traição: Um Caminho Escondido
Junto à grande muralha noroeste do **Castelo de Leiria**, encontramos uma porta peculiar, propositadamente discreta e embutida na muralha. É a **Porta da Traição**, ou Porta de Trás, um elemento comum em castelos medievais. A sua função principal era permitir uma via de fuga em caso de ataque insustentável ao castelo.
Mas não só. Servia também para efetuar ataques de surpresa às tropas inimigas que se aproximassem e para enviar mensageiros em busca de reforço militar. A sua discrição era tal que se pretendia que não fosse reconhecida pelo inimigo, sendo inclusivamente oculta por uma barracão, uma muralha mais baixa, e pela vegetação do morro.
A Lenda do Corvo: Símbolo de Vitória
Esta porta está intrinsecamente associada a uma das mais icónicas lendas do **Castelo de Leiria** e da cidade: a **Lenda do Corvo** e a retomada do castelo. Reza a lenda que, numa das ocasiões em que o **Castelo de Leiria** foi retomado pelos mouros, o exército de Dom Afonso Henriques acampou na colina “Cabeça de Rei”, preparando um ataque surpresa ao amanhecer.
Subitamente, um corvo pousou no cimo de um pinheiro bravo, agitando freneticamente as asas e crocitar alegremente. Os soldados de Dom Afonso Henriques interpretaram este sinal como um bom agouro, o que lhes deu uma motivação especial para iniciar o ataque. E assim, segundo a lenda, o **Castelo de Leiria** foi retomado aos mouros.
Esta lenda está memoriada no próprio brasão da cidade de Leiria, onde se vê o **Castelo de Leiria** ao centro, ladeado por pinheiros bravos e o corvo que representa esta vitória lendária.
A Torre de Menagem: O Símbolo do Poder Régio
Chegamos a outro elemento fundamental da defesa do **Castelo de Leiria**: a **Torre de Menagem**. A palavra “menagem” significa homenagem, e numa torre de menagem medieval, simbolizava o poder militar, administrativo e judicial do senhor do castelo.
A torre que hoje observamos é o resultado de obras de reconstrução e ampliação por ordem de **Dom Dinis em 1324**, um ano antes da sua morte. Este ano, evoca-se precisamente os setecentos anos da morte de Dom Dinis, a 7 de janeiro de 1325.
Esta **Torre de Menagem** no **Castelo de Leiria** é um símbolo do poder de Dom Dinis sobre este território. Curiosamente, no final da sua vida, Dom Dinis teve um sério conflito com o seu filho, o príncipe herdeiro Dom Afonso (futuro Dom Afonso IV). Leiria, durante a guerra civil de 1319-1324, entregou o castelo aos revoltosos chefiados pelo príncipe, o que desagradou profundamente a Dom Dinis.
A construção desta grandiosa torre de menagem, no lugar de uma anterior de menores dimensões, foi uma clara reafirmação do seu poder régio e da retomada do controlo real sobre o território. Era uma lembrança aos leirienses da sua traição.
Para além de ser um elemento fundamental de defesa, o último reduto do castelo, a **Torre de Menagem** também serviu como prisão régia desde meados do século XIV até meados do século XVIII. Hoje, é visitável no seu interior, e os visitantes podem subir ao terraço para desfrutar de uma magnífica vista de 360 graus sobre toda a cidade e o território envolvente.
Junto à porta de entrada da **Torre de Menagem** do **Castelo de Leiria**, existe uma inscrição que se refere à sua construção e ampliação em 1324 por Dom Dinis, indicando que foi começada e acabada a 8 de maio desse ano. Por baixo, encontram-se os brasões reais de Dom Dinis, da Rainha Dona Isabel de Aragão e do Infante Dom Afonso.
Uma outra inscrição, mais recente, mas igualmente histórica, remete para a guerra civil entre o Infante Dom Miguel e a Rainha Dona Maria II. Esta inscrição assinala a passagem das tropas liberais, lideradas pelo Conde de Saldanha, Dom Luís Mouzinho Galvão, em 15 de janeiro de 1834, quando expulsaram os miguelistas que se tinham instalado no castelo, com a artilharia apontada para a cidade. Uma clara mensagem: “Viva Dona Maria Segunda de Portugal”.
Os Paços Novos: A Residência Real no Castelo de Leiria
Deixando para trás a componente militar do **Castelo de Leiria**, adentramos a sua parte residencial, os **Paços Novos do castelo**. Mandados construir por Dom João I por volta de 1390, nos finais do século XIV e inícios do XV, representam uma mudança significativa na função do castelo.
Anteriormente, a primeira dinastia de reis portugueses, quando em Leiria, residia nos Paços de São Simão ou de São Pedro, localizados na antiga cerca da vila medieval, mais abaixo. Daí a designação “Paços Novos” para este magnífico palácio dentro do **Castelo de Leiria**, um dos mais belos de Portugal.
Nos pisos inferiores dos **Paços Novos**, encontra-se atualmente uma exposição de longa duração intitulada “Castelo de Leiria: Construções de um Lugar”. Esta mostra exibe os vestígios arqueológicos descobertos por diversas equipas que têm desenvolvido trabalhos arqueológicos dentro do castelo e na sua envolvente. Estes vestígios documentam a evolução da ocupação humana neste morro, desde o Calcolítico (Idade do Cobre, há cinco mil anos) até à época moderna.
O piso mais nobre do palácio é o Salão Magno, ou das Audiências, que nos conduz à parte mais icónica do castelo: a sua galeria, lógia ou varanda. Com uma fabulosa vista para o lado sul da cidade, nomeadamente para o centro histórico, esta zona é a mais identificável do **Castelo de Leiria** e um local adorado pelos visitantes que vêm desfrutar da beleza do palácio e da panorâmica sobre a cidade.
A Igreja de Nossa Senhora da Pena: O Coração Espiritual do Castelo
No interior do **Castelo de Leiria**, situamos a **Igreja de Nossa Senhora da Pena**, um local de profundo significado para os leirienses. É a **primeira igreja de Leiria**, datando da fundação do castelo, na década de 1140 (entre 1144 e 1147). Originalmente, seria uma igrejinha simples de estilo românico, mas dessas características originais, pouco resta para além da sua planimetria.
Hoje, deparamo-nos com uma igreja de estilo gótico, resultado de importantes reformas ao longo dos séculos. As mais significativas ocorreram no reinado de Dom Dinis e, sobretudo, no reinado de Dom João I, que a transformou em capela palaciana ligada aos Paços Novos do castelo.
A igreja apresenta semelhanças com o Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha, obra grandiosa também edificada por Dom João I. Podemos observar isto no fecho da abóbada, onde encontramos um símbolo “Y”, possivelmente ligado à dinastia de Avis e a Dom João I.
A magnífica capela-mor da **Igreja de Nossa Senhora da Pena** exibe o símbolo da Cruz de Cristo, ligado aos Templários, uma ordem que Dom Dinis integrou na Ordem de Cristo em 1319 e que teve um papel crucial na Reconquista, nomeadamente na conquista de Santarém e na sua presença em Tomar.
Outra curiosidade são as **marcas de canteiro** gravadas no aparelho da nave da igreja. Estes símbolos intrigantes eram as identificações dos mestres canteiros, pagos à tarefa, que trabalhavam as pedras. Encontram-se marcas semelhantes nos Paços Novos e no Mosteiro da Batalha, sugerindo a participação dos mesmos mestres artesãos na construção e reforma destes importantes edifícios.
Na capela-mor, identificamos duas sepulturas, uma das quais pertenceu a Pero Barbalardo, um alcaide-mor do **Castelo de Leiria** de uma família de grande importância. A outra sepultura é atribuída por alguns à Rainha Santa Isabel, embora esta tenha sido sepultada no Mosteiro de Santa Clara em Coimbra.
Um elemento notório é o arco do coro alto, de estilo manuelino, que marca uma diferença estética. Este arco não é original da igreja, tendo sido introduzido pelo arquiteto suíço **Ernesto Korrodi**, que se radicou em Leiria e teve um papel fundamental no restauro do **Castelo de Leiria**.
O Legado de Ernesto Korrodi: A Salvação do Castelo
Nos finais do século XIX, o **Castelo de Leiria** encontrava-se em ruínas. A sua salvação deve-se em grande parte aos esforços da Liga dos Amigos do Castelo de Leiria, criada em 1915 e liderada pelo Doutor Tito Aranha. **Ernesto Korrodi** integrou a direção desta liga e, com o apoio do governo da recém-implementada República, tornou-se o responsável pelo projeto e direção das obras de restauração do castelo, iniciadas sobretudo a partir de 1923-1924 e estendendo-se pela década de 1930.
Korrodi, numa atitude de profunda valorização do património, salvou o arco manuelino da antiga Capela de Sant’António do Carrascal, hoje o cemitério da cidade, que havia sido demolida. Esta obra-prima foi integrada no coro alto da **Igreja de Nossa Senhora da Pena** do **Castelo de Leiria**, um testemunho da sua visão e dedicação à preservação do património.
A restauração do **Castelo de Leiria** ao longo do século XX, continuada pela Direção Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais, garantiu que este símbolo monumental da história de Portugal fosse preservado para as futuras gerações. Graças a estes esforços, o castelo, que Ernesto Korrodi garantiu um “aspeto apalaçado vindo da cidade”, permanece até hoje como uma vigia da cidade, oferecendo uma vista privilegiada para o centro histórico.
Conclusão: O Castelo de Leiria, Um Convite à Descoberta
O **Castelo de Leiria** é muito mais do que uma atração turística; é um repositório vivo da nossa identidade, um local onde a história se cruza com a lenda, a arquitetura com a arte, e a resiliência humana com a beleza natural. Este episódio de Portugal á Vista oferece uma oportunidade única para o público mergulhar profundamente em cada camada de significado que o **Castelo de Leiria** encerra.
É uma celebração do engenho dos nossos antepassados, da determinação dos nossos reis e do papel central que Leiria desempenhou na formação do Portugal que conhecemos hoje. Desde a sua função militar estratégica, passando pelas adaptações como residência real, até ao seu atual papel como espaço cultural dinâmico, o **Castelo de Leiria** continua a fascinar e a inspirar.
As suas muralhas sussurram histórias de batalhas, de vida quotidiana medieval, de reis e de lendas que ainda hoje ecoam. A possibilidade de percorrer as suas salas, subir à Torre de Menagem, visitar as impressionantes cisternas e a histórica Igreja de Nossa Senhora da Pena é uma experiência imperdível para quem procura compreender a alma de Portugal.
Convidamo-lo a assistir a este episódio de Portugal á Vista para uma experiência visual e informativa que o deixará com um desejo imenso de visitar este tesouro nacional. Venha descobrir por si mesmo o porquê de o **Castelo de Leiria** ser um símbolo tão duradouro e reverenciado da nossa Reconquista e da nossa cultura.
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Castelo de Leiria: A Symbol of the Reconquista | Portugal á Vista S06E25
Explore the epic history, captivating legends, and enduring resilience of Leiria Castle in this special episode of Portugal á Vista. An unforgettable journey into the heart of Portugal!
In the latest episode of Portugal á Vista, we embark on a fascinating expedition to **Leiria Castle**, a monumental structure that stands proudly above the city, bearing witness to centuries of history and resilience. This castle is not just a collection of ancient stones; it is a **monumental symbol of the city’s history** and a guardian of Portugal’s collective memory.
Its strategic importance dates back to its founding in **1135 by Dom Afonso Henriques**, the first king of Portugal. During an era of intense Reconquista, the young Infante, based in Coimbra, needed to defend his position and expand his domains southward. **Leiria Castle** was erected as a crucial advanced line, not only to protect Coimbra but also as a launching point for the conquest of Santarém, Lisbon, and Sintra.
This fortress, thanks to its privileged position on a hill dominating the Leiria landscape, had been a site of human occupation since prehistoric times. **Leiria Castle** thus became a focal point of defense and attack, a stage for incessant confrontations between Christians and Muslims.
The struggles to secure this strategic location were fierce and continuous. The castle was stormed and recaptured multiple times, a reality that shaped its identity and the bravery of its defenders. The command of the military garrison was entrusted to Dom Paio Guterres, the first alcaide-mor (governor), one of Dom Afonso Henriques’ valiant knights.
He defended not only **Leiria Castle** and the local population but also the vital position of Coimbra. Despite the hardships and the depopulation of the territory due to constant battles, his resistance was legendary, even if the castle occasionally fell into Moorish hands.
The Defensive Architecture of Leiria Castle
The Albacara: A Refuge in Times of War
One of the most intriguing elements of **Leiria Castle** is its annex, the **Albacara**. Curiously, this term is of Arabic origin, meaning “cattle enclosure.” In the event of an attack, the population living near the castle would take refuge inside the walled enclosure, bringing with them their most precious possession: their livestock. This practice was vital for survival during sieges that could be long and grueling.
The Albacara was not just a shelter for livestock; it was a space where the population could find safety, and likely, also cultivate small gardens to supplement their provisions. It was an ingenious solution to ensure sustenance during the most challenging periods of war.
The Medieval Cisterns: Water Storage Mastery
Another crucial defensive element, and our first point of visit in this episode, are the **castle’s cisterns**. Water, a vital resource in times of war, was carefully stored. Within the enclosure of **Leiria Castle**, there are five cisterns, with the one we visit being the largest complex.
This archaeological site, consisting of three large-capacity compartments, primarily collected rainwater. It is fascinating to observe the interior of these structures, now accessible to visitors, which allows for an understanding of medieval engineering. The cistern walls were coated with almagre, a reddish mortar based on iron oxide, which provided impermeability – essential for water retention.
The rehabilitation works of **Leiria Castle**, carried out between June 2019 and May 2021, allowed for the intervention in this cistern complex, making it accessible and a space for reflection. Today, these cisterns are not just historical remnants; they are also a venue for cultural initiatives, such as temporary exhibitions of sculpture, photography, drawing, and particularly, media art.
The space promotes an important dialogue about the sustainable management of drinking water, a non-unlimited resource, highlighting the lessons we can learn from our medieval ancestors, who faced years of extreme drought and developed ingenuity to manage this fundamental resource for human life and life on the planet.
Legends and Secrets of Leiria Castle
The Traitor’s Gate: A Hidden Path
Adjacent to the large northwest wall of **Leiria Castle**, we find a peculiar gate, deliberately discreet and embedded within the wall. This is the **Traitor’s Gate**, or Back Gate, a common feature in medieval castles. Its primary function was to provide an escape route in case of an unsustainable attack on the castle.
But not only that. It also served to launch surprise attacks on approaching enemy troops and to send messengers seeking military reinforcement. Its discretion was such that it was intended to remain unrecognized by the enemy, even being concealed by a lower wall (barracão) and the vegetation of the hill.
The Crow Legend: A Symbol of Victory
This gate is intrinsically linked to one of the most iconic legends of **Leiria Castle** and the city: the **Crow Legend** and the recapture of the castle. The legend tells that, on one occasion when **Leiria Castle** had been retaken by the Moors, Dom Afonso Henriques’ army camped on the “King’s Head” hill, preparing a surprise attack at dawn.
Suddenly, a crow perched on top of a wild pine tree, frantically flapping its wings and cawing joyfully. Dom Afonso Henriques’ soldiers interpreted this sign as a good omen, which gave them special motivation to launch the attack. And so, according to legend, **Leiria Castle** was retaken from the Moors.
This legend is commemorated in the very coat of arms of the city of Leiria, where **Leiria Castle** is seen at the center, flanked by wild pine trees and the crow that represents this legendary victory.
The Keep: The Symbol of Royal Power
We arrive at another fundamental element of **Leiria Castle’s** defense: the **Keep (Torre de Menagem)**. The word “menagem” means homage, and in a medieval keep, it symbolized the military, administrative, and judicial power of the castle’s lord.
The tower we observe today is the result of reconstruction and expansion works ordered by **Dom Dinis in 1324**, a year before his death. This year, we commemorate the seven hundredth anniversary of Dom Dinis’s death, on January 7, 1325.
This **Keep** within **Leiria Castle** is a potent symbol of Dom Dinis’s power over this territory. Interestingly, towards the end of his life, Dom Dinis had a serious conflict with his son, the heir apparent Dom Afonso (future Dom Afonso IV). Leiria, during the civil war of 1319-1324, surrendered the castle to the rebels led by the prince, which deeply displeased Dom Dinis.
The construction of this grand keep, in place of a smaller previous one, was a clear reaffirmation of his royal power and the king’s reassertion of control over the territory. It served as a reminder to the people of Leiria of their betrayal.
Beyond being a fundamental defensive element, the last redoubt of the castle, the **Keep** also served as a royal prison from the mid-14th century until the mid-18th century. Today, its interior is open to visitors, and guests can ascend to the terrace to enjoy a magnificent 360-degree view over the entire city and the surrounding area.
Next to the entrance door of the **Keep** of **Leiria Castle**, there is an inscription referring to its construction and expansion in 1324 by Dom Dinis, indicating that it began and finished on May 8 of that year. Below, the royal coats of arms of Dom Dinis, Queen Dona Isabel of Aragon, and Infante Dom Afonso can be seen.
Another, more recent but equally historic inscription, refers to the civil war between Infante Dom Miguel and Queen Dona Maria II. This inscription marks the passage of the liberal troops, led by the Count of Saldanha, Dom Luís Mouzinho Galvão, on January 15, 1834, when they expelled the Miguelistas who had occupied the castle, with artillery pointed at the city. A clear message: “Long live Dona Maria Segunda of Portugal.”
The New Palaces: Royal Residence at Leiria Castle
Leaving behind the military component of **Leiria Castle**, we enter its residential section, the **New Palaces (Paços Novos)**. Commissioned by Dom João I around 1390, in the late 14th and early 15th centuries, they represent a significant shift in the castle’s function.
Previously, the first dynasty of Portuguese kings, when in Leiria, resided in the Palaces of São Simão or São Pedro, located in the old medieval village enclosure, further down. Hence the name “New Palaces” for this magnificent palace within **Leiria Castle**, one of Portugal’s most beautiful.
On the lower floors of the **New Palaces**, there is currently a long-term exhibition titled “Leiria Castle: Constructions of a Place.” This exhibition displays archaeological remains discovered by various teams who have conducted archaeological work within the castle and its surroundings. These remains document the evolution of human occupation on this hill, from the Chalcolithic (Copper Age, five thousand years ago) to the modern era.
The most noble floor of the palace is the Grand Hall, or Audience Hall, which leads us to the most iconic part of the castle: its gallery, loggia, or balcony. Offering a fabulous view to the south side of the city, particularly the historic center, this area is the most identifiable feature of **Leiria Castle** and a beloved spot for visitors who come to enjoy the palace’s beauty and the panoramic view over the city.
The Church of Nossa Senhora da Pena: The Spiritual Heart of the Castle
Inside **Leiria Castle**, we find the **Church of Nossa Senhora da Pena**, a place of profound significance for the people of Leiria. It is **Leiria’s first church**, dating back to the castle’s foundation in the 1140s (between 1144 and 1147). Originally, it would have been a simple Romanesque church, but little remains of those original features beyond its ground plan.
Today, we encounter a Gothic-style church, the result of important reforms over the centuries. The most significant occurred during the reign of Dom Dinis and, especially, during the reign of Dom João I, who transformed it into a palatine chapel connected to the castle’s New Palaces.
The church shows similarities with the Monastery of Santa Maria da Vitória in Batalha, a grandiose work also built by Dom João I. We can observe this in the vault’s keystone, where we find a “Y” symbol, possibly linked to the House of Aviz dynasty and Dom João I.
The magnificent main chapel of the **Church of Nossa Senhora da Pena** displays the symbol of the Cross of Christ, linked to the Knights Templar, an order that Dom Dinis integrated into the Order of Christ in 1319 and which played a crucial role in the Reconquista, notably in the conquest of Santarém and its presence in Tomar.
Another curiosity is the **mason’s marks** engraved on the masonry of the church’s nave. These intriguing symbols were the identifications of the master stonemasons, paid by the task, who worked the stones. Similar marks are found in the New Palaces and the Batalha Monastery, suggesting the participation of the same master artisans in the construction and renovation of these important buildings.
In the main chapel, we identify two tombs, one of which belonged to Pero Barbalardo, an alcaide-mor of **Leiria Castle** from a very important family. The other tomb is attributed by some to Queen Saint Isabel, although she was buried in the Monastery of Santa Clara in Coimbra.
A notable element is the arch of the high choir, in Manueline style, which marks an aesthetic difference. This arch is not original to the church, having been introduced by the Swiss architect **Ernesto Korrodi**, who settled in Leiria and played a fundamental role in the restoration of **Leiria Castle**.
The Legacy of Ernesto Korrodi: The Castle’s Salvation
By the late 19th century, **Leiria Castle** lay in ruins. Its salvation is largely due to the efforts of the League of Friends of Leiria Castle, created in 1915 and led by Dr. Tito Aranha. **Ernesto Korrodi** joined the board of this league and, with the support of the government of the newly established Republic, became responsible for the project and direction of the castle’s restoration works, which began primarily from 1923-1924 and continued through the 1930s.
Korrodi, demonstrating a deep appreciation for heritage, saved the Manueline arch from the old Chapel of Sant’António do Carrascal, now the city’s cemetery, which had been demolished. This masterpiece was integrated into the high choir of the **Church of Nossa Senhora da Pena** within **Leiria Castle**, a testament to his vision and dedication to heritage preservation.
The restoration of **Leiria Castle** throughout the 20th century, continued by the Directorate General for Buildings and National Monuments, ensured that this monumental symbol of Portugal’s history would be preserved for future generations. Thanks to these efforts, the castle, which Ernesto Korrodi ensured had a “palatial appearance when viewed from the city,” remains to this day a watchtower over the city, offering a privileged view of the historic center.
Conclusion: Leiria Castle, An Invitation to Discovery
**Leiria Castle** is much more than a tourist attraction; it is a living repository of our identity, a place where history intertwines with legend, architecture with art, and human resilience with natural beauty. This episode of Portugal á Vista offers a unique opportunity for the audience to delve deeply into every layer of meaning that **Leiria Castle** embodies.
It is a celebration of our ancestors’ ingenuity, our kings’ determination, and the central role Leiria played in shaping the Portugal we know today. From its strategic military function, through its adaptations as a royal residence, to its current role as a dynamic cultural space, **Leiria Castle** continues to fascinate and inspire.
Its walls whisper stories of battles, of medieval daily life, of kings, and of legends that still echo today. The opportunity to walk through its halls, ascend the Keep, visit the impressive cisterns, and the historic Church of Nossa Senhora da Pena is an unmissable experience for anyone seeking to understand the soul of Portugal.
We invite you to watch this episode of Portugal á Vista for a visual and informative experience that will leave you with an immense desire to visit this national treasure. Come and discover for yourself why **Leiria Castle** is such an enduring and revered symbol of our Reconquista and our culture.
Listen to the Portugal á Vista S06E25 Podcast: Leiria Castle
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