It’s Showtime – S07:E23 – Samuel Marques

Da Pauta de Salreu aos Palcos de Nova Iorque com Samuel Marques | It’s Showtime S07E23

Bem-vindos à plataforma oficial da Multicultural TV in Canada, o seu espaço de eleição para a promoção e divulgação das manifestações culturais mais vibrantes da comunidade lusófona global. No episódio de hoje do nosso prestigiado programa original, orgulhosamente integrado na It’s Showtime category, trazemos até si a história de superação, dedicação e enorme genialidade de um dos maiores embaixadores da música clássica portuguesa contemporânea. Dedicamos este espaço a analisar em profundidade a caminhada artística do brilhante clarinetista português Samuel Marques, um instrumentista de exceção que transformou o seu talento numa ponte sólida entre a tradição filarmónica das pequenas vilas de Portugal e o panorama artístico internacional das grandes metrópoles mundiais.O percurso que apresentamos neste artigo não se limita a relatar uma sucessão de sucessos académicos ou atuações em salas de concerto de renome; trata-se de um olhar detalhado sobre as exigências emocionais, as decisões estruturais e a resiliência necessárias para transformar uma paixão de infância numa carreira artística global de topo. Através desta grande entrevista concedida ao programa It’s Showtime, descobrimos como o jovem músico aborda a interpretação musical, a pedagogia e a gestão de uma carreira que se divide constantemente entre continentes, culturas e estéticas sonoras marcadamente distintas.

As Raízes Culturais em Salreu e o Primeiro Contacto com a Música

A extraordinária narrativa de Samuel Marques encontra o seu ponto de partida na histórica e acolhedora freguesia de Salreu, situada no concelho de Estarreja, no distrito de Aveiro. Esta região de Portugal, profundamente marcada pela proximidade geográfica com a Ria de Aveiro, possui uma das densidades de bandas filarmónicas mais significativas do país, funcionando estas instituições como verdadeiros pilares de coesão social, identidade regional e preservação cultural através das gerações. Foi precisamente neste cenário de forte envolvimento comunitário que o jovem músico, com apenas 5 anos de idade, iniciou o seu contacto com a pauta musical.

Ao contrário do que frequentemente se verifica no universo da música erudita, onde os jovens prodígios são empurrados para o piano ou para as cordas por estrita influência ou exigência familiar, a entrada de Samuel Marques na escola de música local deveu-se a uma motivação puramente pessoal e espontânea. Fascínio pelas melodias que ouvia nas festividades locais e o desejo natural de se integrar nas atividades recreativas da sua comunidade foram os motores que o levaram a pedir aos pais para ingressar na filarmónica de Salreu. Esta decisão mudaria para sempre o rumo da sua vida profissional.

Os primeiros passos do estudante na escola da banda de Salreu seguiram o modelo pedagógico tradicional das filarmónicas portuguesas, onde a aprendizagem teórica da leitura musical e do solfejo precede obrigatoriamente o manuseamento físico de qualquer instrumento de sopro ou percussão. Este período de amadurecimento mental e auditivo foi crucial para sedimentar uma base sólida que lhe permitiria, mais tarde, progredir com uma rapidez invulgar no domínio prático do clarinete, demonstrando desde muito cedo uma facilidade inata para compreender a linguagem dos sons.

A escolha do clarinete como o seu companheiro de vida artística não resultou de uma preferência prévia ou de uma paixão romântica imediata, mas sim de uma necessidade logística e institucional da própria banda de Salreu, que na altura enfrentava uma escassez de executantes nas fileiras das madeiras. Dada a sua reduzida estatura e o tamanho pequeno das suas mãos com apenas 5 anos, os professores decidiram que o jovem deveria iniciar a sua prática na requinta, um instrumento da família dos clarinetes, mais pequeno e afinado em Mi bemol, que exige um controlo de embocadura muito preciso devido ao seu registo agudo e estridente. A transição para o clarinete soprano convencional em Si bemol deu-se de forma gradual e natural, à medida que o seu crescimento físico acompanhava o seu desenvolvimento técnico.

O Impacto Social e Pedagógico do Ecossistema das Bandas Filarmónicas

Durante a sua inspiradora conversa com a equipa de produção do programa It’s Showtime, o clarinetista Samuel Marques fez questão de dedicar uma parte substancial do seu tempo a defender o valor inestimável e a importância crucial que as bandas filarmónicas assumem no desenvolvimento sociocultural e humano em Portugal. Para o músico, estas associações centenárias representam muito mais do que meros grupos de entretenimento popular ou agremiações de amadores que se reúnem para tocar em procissões e romarias de verão.

As bandas filarmónicas funcionam em Portugal como autênticos conservatórios populares e democráticos, fornecendo um ensino musical de excelente nível técnico e pedagógico a milhares de crianças e jovens, muitas vezes a custos irrisórios ou de forma totalmente gratuita. Sem este ecossistema cultural único, que cobre o território nacional de lés a lés, uma percentagem esmagadora dos músicos profissionais portugueses que hoje integram as melhores orquestras do mundo nunca teria tido a oportunidade económica ou geográfica de descobrir o seu talento e iniciar os seus estudos artísticos.

Além da óbvia componente de formação artística elementar, Samuel Marques ressalta o imenso valor cívico e humano que a vivência no seio de uma banda filarmónica imprime no caráter de um jovem indivíduo. O ambiente de ensaio de uma banda promove um convívio intergeracional absolutamente singular na sociedade contemporânea, colocando lado a lado, na mesma estante de música, uma criança de 10 anos, um estudante universitário de 20 e um reformado de 70 anos. Todos partilham o mesmo nível de exigência, o mesmo respeito pela hierarquia artística do maestro e a mesma responsabilidade coletiva na busca pela perfeição sonora, criando nos jovens um sentido profundo de disciplina, tolerância e cooperação.

A Consolidação Académica no Conservatório de Música de Aveiro

Compreendendo que a sua ligação à música clássica já ultrapassara a barreira do mero passatempo infantil ou da atividade de fim de semana, o jovem decidiu procurar um enquadramento escolar mais formal e abrangente. Aos 9 anos de idade, o talentoso instrumentista submeteu-se aos exames de admissão no prestigiado Conservatório de Música de Aveiro, ingressando no ensino especializado da música. Foi neste período que a sua rotina diária se transformou por completo, exigindo uma capacidade de organização férrea para conciliar os exigentes horários do ensino regular com as infindáveis horas de estudo individual, aulas de instrumento, formação musical e classes de conjunto no conservatório.

No Conservatório de Aveiro, Samuel Marques teve o privilégio e a felicidade de ser integrado na classe privada do reputado professor Nelson Aguiar, uma figura pedagógica de referência que desempenhou um papel basilar e absolutamente determinante na estruturação de todo o seu percurso profissional subsequente. Sob a orientação atenta, rigorosa e profundamente humanista de Nelson Aguiar, o jovem clarinetista português estudou consecutivamente ao longo de oito anos, absorvendo não só os segredos técnicos da produção de som e da agilidade de dedos, mas também a ética de trabalho indispensável a um músico de elite.

A relação de mentoria estabelecida com o professor Nelson Aguiar foi descrita pelo músico no programa It’s Showtime como uma simbiose perfeita entre exigência técnica e inteligência emocional. Durante a complexa fase da adolescência — período em que muitos jovens talentos abandonam o estudo exigente dos instrumentos musicais devido ao aparecimento de novas distrações e interesses sociais —, Nelson Aguiar soube manter o seu aluno focado, desafiado e constantemente motivado. O professor conseguiu incutir em Samuel Marques um respeito absoluto pelo rigor da música de câmara e orquestral, sem nunca permitir que o aluno perdesse o prazer orgânico e a alegria pura de fazer música com paixão.

A Encruzilhada Profissional e a Entrada Precoce na ESMAE com António Saiot

Apesar de demonstrar um virtuosismo técnico invulgar e de acumular classificações máximas nas disciplinas práticas do conservatório, a aproximação ao final do ensino secundário trouxe consigo as inevitáveis dúvidas existenciais em relação ao futuro académico e profissional. Dividido entre a paixão pela música erudita e o interesse genuíno por outras áreas do conhecimento científico, o estudante optou por seguir a via de Ciências e Tecnologias no ensino regular. Havia, de certa forma, o receio pragmático de apostar todas as fichas numa carreira artística, alimentado pela escassez de informação pública e pela perceção social errónea de que a música em Portugal oferecia poucas saídas profissionais estáveis.

Este impasse vocacional foi quebrado de forma categórica e surpreendente através de uma audaciosa decisão tomada no final do 11.º ano de escolaridade. Incentivado a testar os seus limites artísticos a nível nacional, o jovem concorreu, através de um estatuto especial de exceção para candidatos excecionalmente dotados, à prestigiada Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo (ESMAE), na vibrante cidade do Porto. Ao ser admitido com notas de excelência absoluta na classe do lendário mestre António Saiot, a vida do clarinetista Samuel Marques ganhou uma aceleração definitiva e irreversível, abandonando de vez qualquer plano alternativo que não envolvesse os palcos.

Trabalhar com António Saiot na ESMAE significou, para o instrumentista, entrar em contacto direto com a maior referência viva do clarinete em Portugal. Saiot, frequentemente apelidado pelos seus pares como o grande revolucionário do instrumento no panorama nacional, foi um autêntico pioneiro que, numa época anterior à globalização e à internet, teve a coragem de sair do país para estudar com os grandes mestres europeus, regressando para fundar uma verdadeira escola portuguesa de clarinete. Durante o seu primeiro ano na faculdade, dividindo-se de forma quase sobre-humana entre os exames finais do 12.º ano em Aveiro e as complexas cadeiras universitárias no Porto, o jovem natural de Salreu consolidou uma maturidade artística extraordinária sob a asa protetora e estimulante de António Saiot.

A Grande Aventura Internacional: O Salto para a Universidade de Nova Iorque

Concluída a sua licenciatura em performance na ESMAE em tempo recorde — fruto da sua entrada precoce no ensino superior —, o jovem músico sentiu que era chegado o momento de alargar horizontes e procurar a sua especialização artística fora das fronteiras europeias. Sob o conselho visionário do seu mentor António Saiot, que identificava nos Estados Unidos da América o território ideal para o refinamento da flexibilidade técnica e da projeção sonora do seu aluno, Samuel Marques começou a delinear o plano para a sua internacionalização académica.

A escolha específica da instituição que iria acolher o seu percurso de pós-graduação foi determinada por um encontro artístico memorável. Durante a sua participação num importante concurso internacional de clarinete na Bélgica, o jovem instrumentista português teve a oportunidade de assistir a uma palestra e conhecer de perto o trabalho de Stanley Drucker, uma autêntica lenda viva da história mundial do clarinete. Drucker detém um recorde mundial impressionante, tendo sido o primeiro-clarinetista da prestigiada e histórica Orquestra Filarmónica de Nova Iorque durante mais de cinco décadas consecutivas, trabalhando diretamente com maestros do calibre de Leonard Bernstein, Igor Stravinsky e Aaron Copland.

Ao descobrir que Stanley Drucker lecionava em exclusivo na prestigiada New York University (NYU), o clarinetista português não hesitou e submeteu a sua candidatura formal. Devido aos elevados custos financeiros associados às viagens transatlânticas na altura, o processo de audição prática foi realizado através do envio de gravações em suporte vídeo de alta fidelidade. O talento avassalador demonstrado nas imagens convenceu de imediato o júri americano e o próprio Stanley Drucker, que aceitou de braços abertos o jovem português de apenas 19 anos na sua restrita e cobiçada classe privada de mestrado.

Nota de Destaque sobre o It’s Showtime: Este episódio sublinha a capacidade que os jovens músicos portugueses têm de se destacar nas maiores instituições de ensino artístico mundiais, servindo como uma enorme inspiração para a comunidade imigrante e multicultural no Canadá.

O Choque Cultural na Big Apple e a Consagração Artística no Lincoln Center

Aterrar na imensa e frenética metrópole de Nova Iorque com apenas 19 anos representou, como seria de esperar, um choque cultural, social e psicológico de proporções gigantescas na vida de Samuel Marques. A transição abrupta do ambiente bucólico, seguro e profundamente comunitário de Salreu para o ritmo alucinante e hipercompetitivo da “Big Apple” exigiu do instrumentista português um processo de adaptação forçado e uma resiliência psicológica fora do comum. O próprio músico recorda com humor e enorme gratidão a audácia quase inconsciente que demonstrou ao mudar-se para o outro lado do oceano sem dominar completamente todas as dinâmicas da vida quotidiana americana, um passo ousado que só foi possível graças ao apoio financeiro e emocional incondicional prestado pelos seus pais.

A experiência académica e humana na Universidade de Nova Iorque revelou-se um sucesso estrondoso. Sob a tutela diária de Stanley Drucker, o clarinetista refinou a sua paleta de cores sonoras, aprendeu os segredos da projeção acústica necessários para preencher as grandes salas de concerto americanas e absorveu a tradição interpretativa da escola de sopros de Nova Iorque. O culminar desta caminhada gloriosa deu-se quando o clarinetista português realizou o sonho máximo de qualquer profissional da música erudita global: apresentar-se ao vivo em concerto no palco sagrado do Lincoln Center, o epicentro da vida artística nova-iorquina.

Para além dos sucessos académicos puros, a permanência no território norte-americano permitiu a Samuel Marques colaborar de perto com figuras de topo da indústria musical mundial. Um dos momentos mais marcantes e emocionalmente avassaladores da sua biografia artística ocorreu quando foi selecionado para participar nas gravações e apresentações públicas da aclamada e multipremiada meio-soprano norte-americana Joyce DiDonato. O clarinetista português foi responsável pela execução de passagens solistas de extrema complexidade técnica que serviam de contraponto à voz da cantora lírica, numa experiência que descreve como uma lição inesquecível de generosidade artística, profissionalismo e profunda humanidade em palco.

A Imersão na Ópera de Brooklyn e os Ensinamentos da National Repertory Orchestra

A flexibilidade estilística do clarinetista português continuou a ser testada e expandida através de projetos inovadores no circuito musical alternativo de Nova Iorque. Durante o seu mestrado, integrou ativamente os projetos artísticos de uma dinâmica companhia de ópera sediada no bairro de Brooklyn. Esta experiência foi crucial para despertar no músico uma paixão duradoura pelo repertório operático, um género musical que exige do instrumentista de sopro uma sensibilidade interpretativa única, uma vez que a articulação do clarinete deve dialogar, respirar e imitar as nuances subtis da voz humana dos cantores em palco.

Outro pilar fundamental na consolidação da sua técnica de orquestra em solo americano foi a sua admissão, após um rigoroso e concorrido processo de audições nacionais, na prestigiada National Repertory Orchestra, uma instituição de elite sediada no pitoresco estado do Colorado. Durante dois meses de intensa residência artística no verão, a orquestra preparava e apresentava ao público um a dois programas sinfónicos completamente diferentes por semana, replicando de forma exata o ritmo de trabalho frenético das grandes orquestras profissionais de primeira linha.

Nesse período no Colorado, sob a direção de maestros convidados de craveira internacional e provenientes das mais diversas escolas estéticas do mundo, o músico funcionou como uma autêntica esponja pedagógica. A necessidade de memorizar e aperfeiçoar repertórios sinfónicos vastos em escassos dias obrigou-o a desenvolver métodos de estudo ultra-eficientes e uma resistência física e mental à prova de bala, características que hoje definem a sua identidade como um dos músicos de orquestra mais requisitados e versáteis em Portugal.

O Regresso à Europa: Atuações na Alemanha e a Rota dos Prémios Internacionais

Após consolidar a sua formação nos Estados Unidos, a carreira de Samuel Marques continuou a expandir-se a um ritmo impressionante, transferindo o seu centro de gravidade de volta para o continente europeu. O seu enorme talento abriu-lhe as portas da prestigiada International Mahler Orchestra, uma formação sinfónica de topo sediada na Alemanha que reúne alguns dos melhores jovens instrumentistas de todo o mundo. Através desta colaboração artística internacional, o clarinetista teve o privilégio de se apresentar em salas que habitam o imaginário de qualquer melómano, com particular destaque para a mítica Filarmónica de Berlim e a Filarmónica de Colónia, locais onde a sua sonoridade rica e expressiva colheu rasgados elogios.

Paralelamente à sua intensa atividade orquestral, o foco na preparação de exigentes concursos e prémios internacionais assumiu um papel preponderante no seu quotidiano de estudo. O instrumentista encara os concursos de música clássica não como um fim em si mesmos ou um mero exercício de vaidade artística, mas sim como poderosas ferramentas pedagógicas de superação pessoal que obrigam o músico a manter uma disciplina de ferro e a analisar ao milímetro cada detalhe da sua performance técnica e interpretativa.

Esta filosofia de exigência contínua deu frutos extraordinários, traduzindo-se na conquista de importantes prémios e distinções em prestigiados certames internacionais, tanto a nível individual como em formações de música de câmara, com especial relevância para os galardões recentemente arrecadados em exigentes competições realizadas em Itália e no Reino Unido. Para o músico, a capacidade de subir a um palco de concurso e ser avaliado por júris internacionais implacáveis constrói uma resiliência psicológica e uma estabilidade emocional que se tornam valiosas mais-valias no momento de enfrentar os grandes concertos solistas da sua carreira profissional.

Intercâmbios Culturais Invulgares: A Viagem à Arménia e o Júri de Singapura

A reputação internacional do clarinetista português Samuel Marques tem-no levado a explorar territórios artísticos e geográficos que fogem completamente aos circuitos tradicionais da música clássica da Europa Ocidental. Um dos episódios mais fascinantes e culturalmente enriquecedores partilhados pelo instrumentista durante a sua entrevista no programa It’s Showtime foi a sua viagem à Arménia, país situado na encruzilhada entre a Europa Oriental e a Ásia Ocidental, onde participou como convidado de honra num prestigiado festival internacional de instrumentos de sopro.

Em solo arménio, o clarinetista viveu momentos de intensa partilha artística, apresentando-se a solo acompanhado pela prestigiada Orquestra Nacional da Arménia e lecionando uma concorrida série de masterclasses para os jovens estudantes do conservatório local. Apesar das óbvias barreiras linguísticas iniciais — superadas com mestria através do auxílio constante de um tradutor oficial —, o músico descobriu uma comunidade artística local dotada de uma paixão avassaladora e fortemente influenciada pela rigorosa e expressiva tradição histórica da escola russa de música clássica, um intercâmbio de vivências que expandiu de forma significativa a sua própria sensibilidade estética.

Outro marco singular e altamente desafiante na sua biografia profissional ocorreu no ano de 2021, em pleno período de restrições globais à mobilidade causadas pelo pós-pandemia, quando o instrumentista português recebeu o honroso convite para integrar o painel de jurados de um importante concurso internacional de música sediado em Singapura. Realizado de forma inteiramente remota e digital, através do visionamento e avaliação de dezenas de vídeos de alta definição enviados por jovens prodígios de todos os cantos do continente asiático, este desafio exigiu do instrumentista uma capacidade de análise acústica e crítica extremamente apurada. Embora o clarinetista confesse partilhar de uma preferência inequívoca pelo calor humano e pela energia orgânica insubstituível dos concertos e júris realizados ao vivo e em sala, a experiência em Singapura foi um passo marcante na sua afirmação como uma autoridade pedagógica global com forte capacidade de adaptação às novas realidades tecnológicas da era digital.

A Atualidade Multi-facetada: Orquestra Clássica do Centro e Projetos de Câmara

No panorama atual da sua carreira profissional, Samuel Marques recusa de forma perante instalar-se numa rotina artística confortável ou monótona, optando por desdobrar a sua atividade profissional numa multiplicidade de projetos que alimentam constantemente a sua curiosidade intelectual e criativa. No plano orquestral em território nacional, o instrumentista ocupa atualmente o prestigiado lugar de clarinetista titular na Orquestra Clássica do Centro, uma das instituições musicais mais ativas e relevantes da histórica cidade universitária de Coimbra.

Em paralelo com o seu compromisso em Coimbra, a sua sólida reputação técnica torna-o um dos músicos mais solicitados para colaborar, na qualidade de reforço convidado, com as principais formações sinfónicas e de câmara de Portugal. O clarinetista colabora regularmente com instituições do calibre da Orquestra Gulbenkian em Lisboa, da Orquestra Metropolitana de Lisboa, da Orquestra Casa da Música na cidade do Porto e da Orquestra das Beiras na sua natal região de Aveiro, demonstrando uma versatilidade e uma capacidade de integração estilística que colhem o aplauso unânime dos diferentes maestros diretores.

A sua paixão profunda pela intimidade e pelo detalhe interpretativo da música de câmara encontra o seu veículo de expressão máxima em dois projetos artísticos de eleição radicados em Portugal. O primeiro é o aclamado Prisma Quintet, um quinteto de palhetas (composto por oboé, clarinete, clarinete baixo, saxofone e fagote) que tem percorrido o país de norte a sul com enorme sucesso de público e crítica. Este agrupamento inovador tem-se destacado pela descentralização cultural, realizando concertos memoráveis em espaços museológicos singulares — como a recente e aplaudida atuação no Museu de Santa Maria de Lamas, na sua famosa sala decorada inteiramente com cortiça — e prepara-se para lançar no mercado discográfico um CD inteiramente dedicado à gravação de obras inéditas de compositores portugueses contemporâneos.

O segundo projeto de câmara estrutural é o duo estável de clarinete e piano que mantém com o seu grande amigo e virtuoso pianista Vasil Dzanko. A cumplicidade humana e a profunda afinidade artística que unem estes dois intérpretes permitem-lhes abordar repertórios de extrema exigência técnica e expressiva, apresentando-se com regularidade em recitais um pouco por todo o país e utilizando o formato de duo como um laboratório de experimentação sonora para a preparação das grandes competições internacionais em que participam.

A Gravação Internacional para a Navona Records e o Legado Pedagógico

A discografia de Samuel Marques conta também com um marco de projeção internacional absolutamente extraordinário e digno de registo. A convite pessoal da reputada compositora polaco-americana Barbara Jazwinski — cujo trabalho contemporâneo o clarinetista português conhecera e estudara detalhadamente durante os seus anos de formação universitária em Nova Iorque —, o instrumentista viajou até à cidade de Glasgow, na Escócia, para assumir o papel de solista na gravação de uma complexa obra concertante para clarinete e orquestra sinfónica, destinada ao mercado discográfico internacional através da prestigiada editora norte-americana Navona Records.

O processo de gravação em solo escocês testou ao limite toda a preparação técnica e a estabilidade emocional do instrumentista português. Com um plano de estúdio extremamente apertado e após uma rápida sessão de revisão de partitura na véspera com a própria compositora Barbara Jazwinski, toda a exigente peça contemporânea — repleta de técnicas estendidas, multifónicos e microtonalidades — foi integralmente gravada numa única e intensa manhã de trabalho, acompanhado pelos músicos da orquestra local. O resultado final é um documento sonoro de altíssima qualidade que serve como testemunho indelével do virtuosismo técnico, da flexibilidade interpretativa e do reconhecimento internacional de que o clarinetista desfruta junto dos criadores contemporâneos.

A par de toda esta intensa e absorvente carreira como intérprete nos palcos do mundo, a vertente pedagógica assume um papel central e de extrema responsabilidade na vida de Samuel Marques. Atuando como professor de clarinete, a sua abordagem ao ensino da música recusa os modelos puramente teóricos, rígidos ou autoritários do passado, baseando-se firmemente no princípio de liderar pelo exemplo prático e pela transparência profissional.

O professor faz questão de partilhar abertamente com os seus jovens alunos a realidade nua e crua do quotidiano de uma carreira artística ativa na atualidade. Nas suas aulas, discute-se não apenas a técnica pura do instrumento, mas também a gestão do stress, a preparação logística das viagens, os desafios económicos de um músico independente, a alegria indescritível das vitórias em palco e, com igual importância, a necessidade de aprender a gerir as inevitáveis falhas, as críticas menos favoráveis e as rejeições em audições, elementos que fazem parte integrante do crescimento de qualquer profissional de topo.

O grande objetivo pedagógico de Samuel Marques ultrapassa largamente a mera formação de executantes tecnicamente perfeitos ou clones do seu próprio estilo de tocar. O instrumentista foca os seus esforços em inspirar os seus estudantes a descobrirem e cultivarem a sua própria voz artística independente, incentivando-os a pensar a música de forma crítica e a manterem sempre intacto o prazer primitivo e a paixão genuína pelo fazer musical. Para o professor, a música é um caminho de autodescoberta contínua e a sua missão principal é fornecer aos alunos as ferramentas técnicas e psicológicas para que possam trilhar os seus próprios caminhos com total liberdade e audácia.

Conclusão: O Olhar sobre o Futuro e as Variações da Laurindinha

No encerramento da sua memorável participação no programa It’s Showtime da Camões TV, ao ser questionado numa nota mais reflexiva sobre o que o seu próprio clarinete diria se ganhasse voz e pudesse prever o futuro da sua carreira, o artista respondeu com uma humildade tocante que o seu instrumento certamente antevê um horizonte repleto de desafios desconhecidos, caminhos inexplorados e uma constante evolução técnica e espiritual, funcionando sempre como o passaporte perfeito para novas aventuras e partilhas humanas através da arte dos sons.

O episódio S07E23 termina de forma absolutamente magistral e sublime com um momento de pura magia musical em estúdio. O clarinetista presenteia os telespectadores com uma performance ao vivo de cortar a respiração: uma reinterpretação fantástica e virtuosística da música tradicional portuguesa intitulada “Variações em Tom Menor à moda da Laurindinha”. Esta peça, brilhantemente composta e arranjada pelo seu grande amigo e colega Eduardo Lima, constitui uma homenagem perfeita às raízes populares e filarmónicas de Portugal, fundindo com enorme sofisticação e genialidade o folclore nacional com a complexidade estrutural e a riqueza harmónica da música erudita global. É o fecho perfeito para uma entrevista que celebra a essência de um artista que nunca esqueceu de onde veio, mesmo quando os seus pés pisam os palcos mais importantes do mundo.

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From the Score of Salreu to the Stages of New York with Samuel Marques | It’s Showtime S07E23

Welcome to the digital home of Multicultural TV in Canada, your premier destination for the most significant cultural productions within the global Portuguese-speaking community. In today’s episode of our acclaimed original series, which is part of the It’s Showtime category, we highlight the inspiring journey of a true musical virtuoso. We invite you to dive deep into the life, struggles, and artistic triumphs of the brilliant Portuguese clarinetist Samuel Marques, an instrumentalist who has successfully bridged the gap between the traditional philharmonic bands of rural Portugal and the elite, high-stakes stages of international concert halls.

This article provides an in-depth analysis of the path taken by an artist who turned a childhood hobby into a global career of excellence. Through an exclusive and revealing interview on It’s Showtime, we explore not only the technical mastery required to become a top-tier performer but also the resilience, strategic decision-making, and emotional intelligence necessary to sustain a career across continents and cultures. Samuel Marques represents a new generation of Portuguese musicians who are rewriting the rules of the industry through sheer dedication and a clear, unwavering vision of their artistic identity.

The Roots in Salreu and the Dawn of a Musical Passion

The story of Samuel Marques begins in the quiet and welcoming village of Salreu, located in the municipality of Estarreja, Portugal. This region, intimately tied to the Aveiro lagoon, is known for its dense network of local philharmonic bands, which act as the backbone of regional cultural life. These bands are more than just musical groups; they are essential social institutions that preserve heritage and provide a sense of belonging. It was within this vibrant setting that Samuel, at the tender age of five, first encountered the world of music.

Unlike many stories of child prodigies, there was no parental pressure or forced instruction involved. The young Samuel felt an internal spark, a genuine curiosity triggered by the brassy melodies he heard at local festivals and the social harmony he observed within his peers. Wanting to be part of that magic, he requested to join the local music academy of the Salreu philharmonic. This spontaneous decision would set in motion a trajectory that would eventually take him across the Atlantic.

The pedagogical approach in Portuguese philharmonic bands is rooted in tradition: theory and solfège must be mastered before a student ever touches an instrument. This foundation was vital for Samuel. It developed his auditory memory and his understanding of musical grammar, allowing him to accelerate his practical learning later on. His innate ability to translate visual cues into precise sounds signaled an early talent that was clearly visible to his first teachers, even if the young boy himself was just focused on learning the basics.

The choice of the clarinet was ultimately a matter of practical necessity. The local band was in dire need of woodwind players to balance their ensemble, and the section leader suggested that young Samuel pick up the instrument. Because he was only five years old, his small hands could not yet comfortably play a full-sized clarinet, so he began on the requinta (E-flat clarinet), a higher-pitched and more demanding version of the instrument. This early challenge forced him to develop a precise embouchure and a strong sense of intonation from the very beginning, setting a technical baseline that would serve him well throughout his life.

The Crucial Role of Philharmonic Bands in Artistic Democratization

During his deep-dive interview on It’s Showtime, Samuel Marques emphasized the profound influence that community bands have had on the structural development of the Portuguese music scene. He argued that these institutions act as democratic nurseries, offering high-level musical education for free or for very low costs. Without these grassroots associations, thousands of talented individuals—including himself—would have been denied the access required to become world-class performers. He views the philharmonic system as an indispensable pillar of Portuguese civil society.

Beyond the technical acquisition of skills, the philharmonic life imparts lasting human values. It fosters an environment of intergenerational mentorship where a child sits next to an adult, learning the same discipline, the same respect for the conductor, and the same commitment to group excellence. This environment creates a unique sense of camaraderie that formal, private music schools often struggle to replicate. For Samuel, his time in the Salreu band was the classroom where he learned the art of collective listening—a skill that is arguably more important than individual virtuosity for any orchestral musician.

Excellence at the Aveiro Conservatory and Mentorship

As he progressed, it became evident that Samuel needed more formal, rigorous training. At nine, he enrolled in the Conservatório de Música de Aveiro. This marked the beginning of a double life: balancing standard public school requirements with intensive music training. It required a level of organizational discipline that most children never encounter. He was fortunate to study under Nelson Aguiar, a teacher who understood exactly how to nurture a student’s technical growth while keeping their creative spirit alive during the difficult years of adolescence.

The relationship between Samuel and Nelson Aguiar was pivotal. Aguiar possessed a rare pedagogical balance, pushing Samuel toward technical mastery while allowing him the freedom to develop his own musical voice. Throughout eight years of intensive study, he absorbed the nuances of phrasing, tone control, and the professional ethics expected of elite performers. This mentor-student dynamic was the bedrock upon which all his later successes were built, providing him with a psychological stability that helped him weather the pressures of high-stakes music competitions and auditions.

Breaking Barriers: The ESMAE and António Saiot

As graduation from high school approached, Samuel stood at a crossroads. Many students at this stage feel pressured to choose a “safer” academic path. Samuel initially leaned toward a science curriculum, fearing that a career in music might be too unstable. However, his artistic ambition was too strong to be suppressed. With the goal of testing his true potential, he auditioned for the Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo (ESMAE) in Porto through an early-admission program. His success in being accepted into the class of master António Saiot was the final nudge he needed to commit fully to music.

Working with António Saiot was a transformative experience. Saiot is an icon of the Portuguese clarinet scene, a pioneer who broke through international barriers in a pre-internet era. He brought a modern, globally recognized technique back to Portugal and effectively established a new school of clarinet performance. Under his guidance, Samuel learned to treat the instrument not just as a tool for playing notes, but as an extension of his own personality. Balancing his final year of high school in Aveiro with university-level work in Porto was an exhausting but exhilarating year that convinced him there was no turning back.

The American Dream: New York and Stanley Drucker

Completing his degree in record time, Samuel sought to challenge himself further. Following the advice of António Saiot, who viewed the United States as the ultimate arena for artistic refinement, Samuel applied for postgraduate programs across the Atlantic. His goal was specific: to study with the legend, Stanley Drucker, the former principal clarinetist of the New York Philharmonic.

The story of how Samuel reached Stanley Drucker is a testament to his initiative. During a competition in Belgium, he had encountered the master, and the connection was immediate. Upon learning that Drucker taught at New York University (NYU), Samuel worked tirelessly to prepare his application. In a time when international travel was costly and challenging, he submitted his audition through recorded video. His performance was so compelling that Drucker accepted him into his highly competitive private studio. Moving to New York at 19 was a monumental risk, but it was one that Samuel embraced with the audacity and confidence of youth, supported by the deep-seated trust of his family back in Salreu.

Did You Know? The It’s Showtime series aims to document the success stories of Portuguese-speaking artists around the world. Samuel Marques’s narrative is a perfect example of how talent, when matched with grit, can transcend borders and cultural contexts.

Adapting to the New York Lifestyle and the Lincoln Center

New York is a city that tests everyone who enters it, and at 19, Samuel faced a trial by fire. He had to navigate not only the intense academic workload of NYU but also the complex logistics of living in a metropolis that never sleeps. He recalls his first months with a mixture of nostalgia and disbelief, noting that it was a period of rapid personal growth. He was forced to become self-sufficient overnight, a shift that drastically altered his perspective on what it meant to be a professional musician.

The highlight of his stay was undoubtedly the opportunity to perform at the Lincoln Center, a dream that most classical musicians only achieve after decades of toil. Standing on that stage, in one of the world’s most prestigious cultural hubs, Samuel felt the culmination of all the years spent practicing in Salreu and Porto. It was more than just a performance; it was a validation of his decision to pursue his passion against the odds. It was also in New York that he had the chance to work with Joyce DiDonato, an experience he describes as a masterclass in professional generosity and artistic communication.

Orchestral Rigor: From Brooklyn Opera to Colorado

Beyond the concert halls, Samuel immersed himself in the practical demands of the American music scene. His work with a Brooklyn-based opera company introduced him to the unique sensitivities required to play alongside singers. In opera, the clarinetist must be a breathing partner, responding to the singer’s timing and emotional color in real-time. This experience was instrumental in making him a more versatile musician, moving him beyond the rigid structures of solo performance into a more collaborative, spontaneous mode of playing.

He further sharpened his skills at the National Repertory Orchestra in Colorado. For two months, the orchestra rehearsed and performed multiple full-scale symphonic programs per week. This hyper-intensive schedule was a trial by fire, forcing him to learn repertoire at breakneck speeds and adapt to the styles of various conductors. It was the perfect environment for him to understand the high-level politics and dynamics of orchestral leadership, preparing him for the life he would eventually lead as an in-demand professional in Portugal.

Expanding into Europe and Mastering Global Competitions

Returning to Europe with a global perspective, Samuel quickly became a fixture on the continent’s stage. He joined the International Mahler Orchestra in Germany, an elite ensemble that served as his gateway to venues like the Berlin Philharmonie and the Cologne Philharmonie. Playing in Germany meant playing for some of the most discerning audiences in the world, which forced him to refine his precision and interpretive depth even further. His ability to blend into diverse orchestral sections while maintaining his distinctive artistic voice made him an invaluable asset for ensembles across Europe.

Parallel to this, he turned his sights toward international competitions. While some view these as mere trophies, Samuel viewed them as a discipline of psychological maintenance. To prepare for a competition, one must examine every note under a microscope, which keeps the performer honest and technically sharp. Success in Italy and the UK served to confirm that his approach—a blend of technical rigor and Portuguese expressive flair—was resonating globally. For Samuel, these competitions were never about winning; they were about achieving a state of readiness that could survive any stage environment.

Venturing into Uncharted Waters: Armenia and Singapore

What truly sets Samuel Marques apart from his peers is his willingness to step outside the traditional “Western” classical bubble. His trip to Armenia, for instance, was a profound cultural exchange. He performed as a soloist with the National Orchestra of Armenia and conducted workshops for local students. Despite the initial communication hurdles, music served as the universal language. He found that the Armenian musical community, deeply influenced by the Russian tradition of classical excellence, had a warmth and depth that matched his own aspirations.

Another unconventional highlight was his role as a jury member for a music competition in Singapore during the pandemic. Assessing dozens of young talents via high-definition digital streams provided a unique perspective on the future of music education. While he acknowledges the limitation of the screen, he was struck by the quality of the performances and the global commitment to technical perfection. Being recognized as a global expert—not just a performer—was a significant career milestone, and it solidified his reputation as a pedagogue who is as comfortable in the digital sphere as he is on stage.

Current Projects: Orquestra Clássica do Centro and Prisma Quintet

Today, Samuel is busier than ever, deliberately avoiding a predictable schedule by juggling multiple projects. He serves as a core member of the Orquestra Clássica do Centro, based in Coimbra, which he feels is essential for maintaining his connection to the Portuguese orchestral heartbeat. However, his work extends far beyond Coimbra. He is frequently called upon by the Gulbenkian Orchestra, the Casa da Música Orchestra in Porto, and others, acting as a flexible bridge between these diverse institutions.

Chamber music remains his greatest laboratory for creativity. Through the Prisma Quintet—an ensemble featuring oboe, clarinet, bass clarinet, saxophone, and bassoon—he explores the cutting edge of contemporary music. Their performances, often held in unique spaces like the cork hall of the Santa Maria de Lamas Museum, exemplify their commitment to decentralizing culture. Moreover, their upcoming discographic project, dedicated entirely to contemporary Portuguese classical music, highlights his mission to promote local composers on the world stage. His partnership with pianist Vasil Dzanko further rounds out his chamber profile, offering him a space to experiment with delicate, nuanced repertoires.

Navigating International Recording and Pedagogical Responsibilities

Samuel’s discography is anchored by a significant international collaboration with Navona Records. At the invitation of composer Barbara Jazwinski, he traveled to Glasgow to record a complex concerto for clarinet and orchestra. Recording an entire work of such structural difficulty in a single morning session is a testament to the level of preparation and focus Samuel brings to the studio. It is a work that captures his agility, his control over contemporary techniques, and his ability to communicate the vision of a living composer to an audience that might be unfamiliar with modern concert music.

His work as a teacher is, in his own words, his most profound responsibility. He believes that the outdated model of a rigid, authoritarian teacher is dead. Instead, he treats his students as partners in a search for excellence. He believes in showing them the “whole picture”—the travel struggles, the financial hurdles, the disappointments of a failed audition, and the sheer joy of a standing ovation. By being open about the realities of the industry, he prepares them not just for the exam room, but for a sustainable career. His students don’t just learn fingerings; they learn how to navigate the complex social and professional landscape of modern music.

Reflections and the Future

As the interview on It’s Showtime neared its conclusion, Samuel was asked what his clarinet might “say” if it could share his future. He smiled, suggesting that the instrument anticipates a path of constant renewal. His clarinet is his vehicle for discovery; it is not a finished product, but a work in progress, just as he considers himself to be. He remains committed to uncovering new soundscapes and building bridges between people, convinced that the clarinet has not yet exhausted its possibilities.

The episode closes with a stunning performance: “Variações em Tom Menor à moda da Laurindinha,” an original arrangement by Eduardo Lima. It is a piece that perfectly encapsulates who Samuel Marques is. It honors the traditional Portuguese folk roots that he never truly left behind, yet it wraps them in a sophisticated, contemporary language that fits perfectly in any concert hall from New York to Singapore. It was the perfect finale to a discussion about a man who has managed to conquer the world without losing the humility of the young boy from Salreu.


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